A BICICLETA DO CONTRA,
Contra-pedal, isso mesmo, era uma bicicleta "contra-pedal”.Para freá-la, bastava uma leve pedalada para trás e:
-Stop!
Paravam o mundo,
o automóvel e
o curso da minha breve história.
Ir contra a corrente parecia tão simples que, ser, só poderia ser assim e na odisséia singular que eu percorria com ela pelos quarteirões da Vila Santa Cecília, desbravava o grande sertão e as suas veredas. Ia ao Rio Grande prosear com Ana, na terra solitária dos pampas e me intrometia em tudo, pois vira e mexe dava carona para uma tal Emília.
À noite, com La Luna refletida no telão do cinema, éramos o astro e a estrela daquele céu imantado e sem fuligens, que atraía olhares que faiscavam arte.
A minha bicicleta do contra, pedal, era sempre a favor, do vento e da vida.Simultaneamente me ensinou a cair e a me levantar, apesar do torpor ou por mais ralada que eu estivesse, antecipando fisicamente a dor e a superação da dor que a vida um dia trataria de transpor para a minha alma.
Montada no selim, amazona e montaria, Pizarro às avessas, fui ladrilhando as ruas conquistadas com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes (Só para o meu amor passar...).
Quixote, cavalgava rápido para me banhar nas águas do ribeirão Brandão antes que elas movessem moinhos .
São Jorge, esquecia o dragão para admirar do Bela Vista a cidade com olhos de astronauta na lua.
A favor de mim, a bicicleta do contra,pedal,às pedaladas, tentava me ensinar a viver.
V.R,2005






Leia este blog no seu celular